Testemunhos
Deus preenche o vazio deixado pela morte

testemunho1Para mim,ainda é muito difícil falar detalhadamente sobre a morte do meu filho amado Bernardo. Enterrar um filho é enterrar sonhos, planos, alegrias, esperança. É como se estivéssemos enterrando um pedaço, uma parte de nós.
A ausência do Be se faz muito presente, sua alegria de viver tão contagiante tantas vezes ocultou o seu grave problema de coração: uma má formação congênita que eu nunca entendi como e nem por que aconteceu. Era mais um daqueles mistérios intrigantes que a frágil humanidade não consegue compreender.

O Be era doce, educado, extremamente alegre! Tá, ele tinha defeitos! Defeitos esses que o tornavam único, faziam parte dele, da sua personalidade, afinal quem não os tem? Porém, suas qualidades eram infinitamente superiores. Ele era um filho bendito, bastante carinhoso, amigo, alegre, educado, obediente, espontâneo e ainda por cima, lindo. Respeitava as pessoas enquanto pessoas, fossem de qualquer raça ou classe social. Para mim, algo que me emociona muito e que sempre servira de grande aprendizado é o fato de que ele nunca, nunca reclamou, se desmereceu ou teve pena de si mesmo pelo problema que carregava dentro de seu peito.

Hoje, dia 30 de março de 2009, meu filho completaria 21 anos e confesso que os piores dias são os comemorativos, como aniversários, natal e passagem de ano. Dias de festas, felicidade e alegria agora são dias de lágrimas e dores. O vazio é muito grande entre o dia e o coração. Dias de rotina eu posso administrar; neles não se cogitam canções, cumprimentos, desejos de alegria e felicitações. Percebo que quando estou em reuniões, principalmente as de família, sinto-me triste e angustiada, porque quando nos reunimos, há sempre um ausente, e sua ausência tão presente quanto nossas presenças, seu silêncio tão sonoro quanto nossas conversas.

Hoje tenho dois filhos e me alegro intensamente com eles, mas o fato é que um se foi para sempre, e quanto a isso não há o que se fazer... Então, mesmo quando estamos todos juntos, não estamos todos juntos.

Lembro-me do dia seguinte ao funeral. Levantei-me da cama muitíssimo angustiada e rastejei até a casa de minha mãe. Naquele momento eu precisava do colo dela para chorar, ela me afagou os cabelos e me disse: "Filha, não tema pois estou com você. Não tenha medo pois eu sou o teu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei. Eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa". Is. 41:10.

No dia eu não consegui perceber a grandeza deste versículo, mas agora percebo claramente o quanto Deus cuidou e cuida de mim.
O que desejo dizer com tudo isso é que apesar da dor, da saudade e da tristeza, eu pude, sim, me refazer, e isto só pode ocorrer de maneira eficaz e completa porque me entreguei a Cristo. Foi preciso me agarrar a Jesus para que eu não enlouquecesse ou morresse. Eu precisava deixá-lo agir em minha vida, confiar totalmente que Ele me sustentaria e restabeleceria.

Quando nos agarramos na fé como única forma de nos reerguermos, deixando que Cristo nos carregue em seu colo, podemos então sentir a sua presença, o seu amor e o seu cuidado. Começamos assim um longo processo de restauração. Vamos sendo moldados e consolados pelo único que pode nos dar a paz verdadeira e recuperar a nossa alegria e a vontade de viver. Podemos então entender que em tudo há propósitos, em todas as coisas Deus opera com suas poderosas mãos, afinal eu tive um filho por 18 anos que não era nem mesmo para ter nascido segundo a explicação da medicina. Esse filho viveu de maneira plena, foi feliz e também me deu muitas alegrias. Me fez forte e levou-me a crer em um Deus que tudo faz, tudo pode, tudo escuta, muda a história de nossas vidas, nos faz novas criaturas, faz com que nasçamos de novo, nos revela seu infinito amor e nos dá uma nova vida plena, com novas esperanças, novas situações, novas perspectivas, novos sonhos, novos planos.

O Bernardo continua vivo em meu coração, afinal o sentimento de amor é grande demais para ter fim e tenho muita gratidão a Deus por ter me dado um filho especial como ele e, como se não bastasse ser a mãe do Be, sou ainda a mãe da Sarah e do Miguel, heranças benditas do senhor, filhos tão preciosos que Deus confiou a mim. Obrigada, meu Deus, por me amar de forma sobrenatural, obrigada por que em Ti posso confiar. Sua fidelidade é eterna e Seu amor imensurável.

Raquel Amorim Morais Santos

 


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